Numa magnífica manhã de julho, dois jovens estudantes começavam a subida de um alto cume. Ambos vinham da planície, e nunca tinham visto montanha tão grandiosa. Andavam a passo ágil e de coração alegre. Em certo momento, eles passaram por um velho e sorriam por vê-lo subir a passos tão vagarosos e medidos.
“Com esse andar de caracol, como poderá atingir o pico da montanha?”, pensaram os jovens que, dez minutos mais tarde, não viram o velho maior que uma formiga, longe, muito abaixo deles. Porém, os pulmões dos nossos dois estudantes começaram a se fatigar, e em pouco tempo tiverem de fazer pequenas paradas a cada meia-hora; e, logo mais, multiplicar e prolongar as paradas.
Pelo meio-dia, completamente extenuados e deitados no rochedo junto a uma pequena queda d’água, avistaram de repente o homem-caracol que desembocava na curva do caminho. Passou perto deles, com o mesmo passo tranquilo e pausado da manhã.
Passou-os, subindo sempre, e sempre mais alto, tão alto que, de novo, não apareceu maior que uma formiga aos nossos dois escolares estirados sobre o musgo, tão cansados, que lhes foi impossível continuar a subida.
Pois bem, você vê, para subir na vida, para atingir o ideal a que miramos, não basta o arrojo de juventude, nem um entusiasmo que dura como fogo de palha; é preciso mais; uma grande, uma paciente, uma contínua perseverança.

